sexta-feira, 29 de maio de 2009

O HORROR QUE NÃO DEVE SER ESQUECIDO


Retomei meu curso de História no segundo semestre do ano passado, iniciado em 2002.1. É importante ressaltar que nesse intervalo de seis anos, continuei as minhas “leituras históricas”, através de revistas, textos soltos, internet, TV, filmes, jornais e alguns livros. E digo mais, muito antes de minha introdução á Academia, a História me seduz desde sempre: quando criança lia meus livros da disciplina nas férias, antes mesmo do início do período letivo, e ia além: ficava sonhando em ler os livros e assistir aos filmes citados nas bibliografias dos textos didáticos (mas dar conta do colégio já me tomava tempo suficiente). Também, por sorte a minha, meu pai ganhou uma coleção inteira de livros de História, da Antiguidade á Contemporaneidade, edições de luxo com fotos inéditas, desenhos e mapas de época, e texto com riqueza de detalhes, as quais li “escondido” grande parte durante a minha adolescência.
De volta á sala de aula e com ela às discussões historiográficas, mais precisamente em um proveitoso seminário de Teoria I, “O extermínio dos judeus e o princípio da realidade” de Carlo Ginzburg, tive contato com diálogos textuais que fiz com Hayden White e Ginzburg, e suas divergências sobre as construções narrativas da História. O que mais chama atenção nos meus estudos é o ceticismo/ relativismo, defendidos por alguns autores e que podem ter conseqüências desastrosas. A crise historiográfica vivida em 1960/70 dá margem a uma teoria um tanto absurda, chamada “revisionismo”, difundida por Robert Faurisson, presente também em outras ciências. O absurdo o qual me refiro é qualquer teoria que possa vir a tomar forma historiográfica expressar quaisquer dúvidas sobre a existência dos campos de concentração nazistas, suas câmaras de gás e fornos crematórios, como defende a teoria revisionista. Contudo, não me abstenho apenas ao campo dos estudos históricos, basta lembrar de Richard Williamson, bispo católico que negou o holocausto no início do ano em questão, 2009.
Desde os meus 12, ou 13 anos, a vida pessoal de Adolf Hitler e seus seguidores, os judeus europeus durante o nazi-fascismo, dentre todos os aspectos sociais que precedem e vivenciam a Alemanha Nazista, me exercem um enorme fascínio (apesar dos pesadelos que me causavam). Talvez porque por mais que pesquise por ambos os lados (alemães x judeus), nunca chegue a compreender realmente como um número significativo de mentes de uma nação se voltaram e se uniram para legitimar o mal. É aparentemente ilógico. E aqui cabe citar Hanna Arendt e sua expressão “banalidade do mal”, criada na discussão sobre o julgamento de Adolf Eichmann, a qual a autora utiliza o termo para explicar que os contribuintes do regime se diziam “apenas estar no cumprimento de suas funções”, daí a naturalidade da viabilização do processo da “Solução Final”. Em minha opinião a maior barbárie da História.
Ao saber da existência da obra “O diário de Anne Frank”, por volta dos meus treze anos, fiquei em pavorosa. Ao descobri-lo uns dois anos mais tarde na biblioteca da escola, o “devorei” inteiro, um pedacinho a cada manhã. Mas confesso que fiquei um tanto quanto decepcionada, senti que faltava algo, o achei um tanto superficial. Penso que esperava mais.
Hoje, empolgada em adquirir cada vez mais informações que possam me incrementar o saber histórico, lendo a edição 62 da revista “Aventuras na História (set 2008)”, em momento de descanso, descobri Hélène Berr, que me trouxe a inspiração desse texto. Intitulada como “Uma outra Anne Frank”, na sessão “Memória”, essa personagem microhistórica me tocou. Hélène era uma jovem judia de 21 anos, de família francesa de várias gerações, estudante de literatura inglesa na Universidade Sorbonne, apreciadora de música clássica, musicista de violino. Moça erudita de boas condições sociais e financeiras. Assim como Anne, Hélène também escreveu um diário, por quase dois anos, mas com conteúdo (antevendo eu) mais denso. Talvez por ter mais maturidade que Anne, ou sensibilidade ao transcrever as emoções ou ainda pela influência de seus estudos, o pouco que eu pude conhecer de Hélène Berr e seus escritos (“O diário de Hélène Berr – Um relato da ocupação Nazista de Paris) me parecem transmitir maior identificação (sem desprezar o relato de Anne, de suma importância para a Memória). Hélène escreve suas memórias confiadas á sua cozinheira para que entregue ao seu namorado caso ela não o veja mais, pois tinha medo de que ele não soubesse o que ela pensava durante sua ausência (O rapaz havia partido para combater na Resistência). A família, abastada, poderia ter fugido, porém Hélène se opôs por achar tal atitude covarde diante daqueles que se encontravam expostos á sua mesma situação, mas que não dispunham de sua mesma condição financeira. Continuou então a viver o seu cotidiano “normal”, percebendo, infelizmente, aos poucos os infortúnios que acabaram por apanhá-la, utilizando-se da frase “nudez diante dos golpes esperados” para retratar sua imobilidade diante do momento atual, que ela já previa: “A monstruosa impossibilidade de compreensão, a horrível falta de lógica de tudo isso tortura o espírito. Mas não há nada que refletir, pois os alemães não buscam nem razão nem utilidade. Têm um objetivo: exterminar”.
Como não me identificar: Hélène era uma jovem comum, assim como eu e minhas contemporâneas, jovem, apaixonada, universitária, amante da música, inteligente, bem informada, intuitiva, atuante no seu meio social (ex: ajudou na adoção de crianças judias). Me identifico completamente com o seu medo da morte: “... toda minha vida desaparecerá subitamente, com todo o infinito que sinto existir dentro de mim”.
Como não admirar: solidária, sensível, erudita, com a suavidade do seu semblante se complementando á do seu interior, Hélène sai do anonimato para nos retratar as atrocidades nazistas, tornando-se assim personagem central através de relevantes relatos histórico-literários dos seus medos, anseios e frustrações, comuns á toda uma época e de inegável importância para a Memória, a fim de que “O horror, o horror, o horror” não torne a se repetir mascarado sob nenhuma outra forma de “normalidade”. A velha estória de que está “tudo bem”, quando não está, a permanência de uma sociedade hipócrita, onde todos colaboram a fim de beneficiar apenas parte dela, ou no caso específico do Holocausto: exterminar parte dela.
A dor ainda está presente, mesmo que se passem mil anos, acredito eu, imagine apenas sessenta, como agora. Interessante ressaltar que os judeus não costumam utilizar “holocausto” para a definição do suplício do seu povo pela ditadura alemã. Isso porque holocausto significa “purificar com fogo” (e era isso que Hitler pensava: “purificar” a Alemanha, mas e o que existia na Europa de 1940 para ser purificado?), por isso utilizam a palavra iídiche “Shoah”, que quer dizer “calamidade”. Faz todo sentido. No caso da França, o país de Hélène, há um bairro judeu repleto de placas nas fachadas das casas de antigos moradores vitimados pelos nazistas. Uma delas diz: “À memória dos 112 habitantes desse prédio, dos quais 40 eram pequenas crianças, deportados e mortos nos campos alemães em 1942”. Ainda assim com placas, monumentos e eventos ao redor do mundo em memória dos oprimidos pelo nazismo, há quem não “veja”, por ignorância como no caso dos imigrantes africanos recentes instalados nos arredores de Drancy (ex - campo de concentração nazista francês) ou por culpa, vergonha, como no caso dos alemães pós-guerra. E há quem “veja” muito bem, continuando a perseguir o povo judeu sob as mais descaradas desculpas como os conflitos entre palestinos e judeus, ou retardadamente sob os preceitos nazistas. Grupos neonazistas e até mesmo partidários da extrema direita francesa, para exemplificar. Um absurdo.
É triste? Sim, mas é uma memória que deve ser mantida a fim de orientar gerações presentes e futuras, que a dor indescritível desse acontecimento para a humanidade possa servir de exemplo a fim gerar sentimentos contrários á guerra, preconceitos, extermínios e quaisquer tipo de submissões entre povos: “A única experiência da imortalidade da alma que podemos ter com segurança é a dessa imortalidade que consiste na persistência da recordação dos mortos entre os vivos (Hélène Berr - foto)”.

sábado, 16 de maio de 2009

CECÍLIA

Parece que foi ontem a primeira vez que te vi, aquele sorriso meio de lado, que por trás esconde alguma traquinagem... E que até antipatizei a primeira vista. Sim, porque depois confirmei a impressão oposta nesses nove preenchidos anos de amizade. Preenchidos de tanta coisa... Alegrias, tristezas, desilusões, riscos, vitórias, tramas e dramas dignos de roteiro da Televisa.
Parece que foi ontem né, a gente correndo atrás do Amarelão pra pegar ônibus com o Glúbio, tirando onda do suco da casa dele, curtindo nas aulas de química ou história, o cantinho da cantina, a coxinha do Bené, a praça do Liceu na companhia do “Penado”, os “Diários” com a “Zoraide”, o bar do “Muerte”, os dias aqui ou na tua casa...
Depois a universidade. Deu trabalho, mas hoje parece tão fácil...Cá entre nós, no ínicio sabemos que não foi. Assim de cara eis que surge um problema. E agora? Hoje se tornou a maior dádiva da sua vida, o “nosso” filho kkkk. E eu, ainda bem, mesmo dormindo (kkk) estava lá.
Quando sua vida retomou a constância, lá estavam eles, os bambus, e debaixo deles tome falar mal do curso (kkkkk). E aquela viagem pelo TRAF? “Amiga tenho uma pequena missão pra você”. Tomar banho de mar é sempre bom. No mais é relembrar e refazer as tardes na tua casa debaixo do pé de Jambo.
Tempos bons que não voltam, mas outros bons momentos sempre podem ser construídos ao lado dessa garota que nunca perde esse sorriso, ao mesmo tempo ingênuo e malicioso, esse equilíbrio e essa fé na vida. Parabéns Cecília, você mais do qualquer pessoa merece chegar onde está e ainda mais, muito mais no que sua perseverança pode alcançar. Deus te abençoe para continuar com essas qualidades que te permitem ser tão querida por mim e por tantas outras pessoas. Perseverante, constante, leal, de humor inteligente, bonita, carinhosa, prestativa, honesta, e que parece não envelhecer nunca! Ufa!(Sem falar que vem lá do Pq. Sul kkkkk!!!!) Você é uma Mulher Maravilha! Te agradeço pelos momentos que pude me fazer importante para você, estou por aqui nesse mês tão marcante: sua formatura, seu aniversário e sempre. Te amo amiga.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

terça-feira, 17 de março de 2009

PROVA DE AMOR

Eu o amo. E por mais que eu já tenha amado outra vez na vida, nunca senti nada igual. Estamos fisicamente distantes, mas em mim ele continua presente, da mesma forma. Costumava dizer que fazia tudo pelo seu amor, para lhe fazer feliz, e isso me tornava feliz também. Mas hoje a maior prova do meu amor é contraditoriamente me manter longe. É ter que renunciar sua presença, nem que seja por rápidos e monossilábicos telefonemas, em prol de, vai saber, na esperança que seja, de um futuro juntos o mais próximo possível.
Só Deus mesmo pode saber o quanto é difícil pra mim ter que voltar pra casa, todas as noites me enganar pra dormir, pensando em nossos momentos felizes. Acordar com o peito apertado. Lá se vão 26 dias assim... Nada melhorou.
Todos os problemas que me aparecem tomam uma dimensão bem maior de quando o tinha comigo. A falta do seu abraço me tirou toda a proteção que pensava ter.
Tem dias mais difíceis que outros, confesso, como hoje, em que sua presença é ainda mais necessária, e me vejo me agarrando á qualquer coisa para não ligar, inclusive apostas furtivas ou repetindo pra mim mesma como um mantra “vai passar, espera pelos menos até amanhã”. Porque se qualquer coisa na minha vida é motivo para lhe fazer ciente dela, imagine como são dias e dias sem nenhuma notícia dele, sem estar á par de nada da sua vida. E como o amor se sacrifica! Até mesmo se fingir de morto...
Fico ás vezes sonhando que alguém aparecerá com uma solução mirabolante, para fazê-lo voltar para mim.
Eu o amo, mas por ele me deixar não significa que eu tenha que dizer que ele seja uma pessoa ruim. Deve ter tido seus motivos. Sei que ele me magoou algumas vezes, mas quem é perfeito? Eu o aceito assim, porque sei que suas qualidades superam seus defeitos. E foi justamente o seu jeito que me encantou, que me despertou todo esse amor. E mesmo que nunca mais o tenha de volta, sempre o terei guardado com carinho em meu coração e espero que também me tenha com carinho em suas lembranças. Tudo o que fiz, em prol do nosso amor, de nada me arrependo. Ninguém o vai amar assim, não com esse cuidado todo de quem guarda uma porcelana japonesa do começo do século passado. Se de nada serviu, pelo menos que ele saiba que foi e ainda é muito amado, que tenha certeza disso. Que a força maior em que ele acredite ou venha a acreditar (espero que isso aconteça)– Deus , Alah, Buda, etc. o ilumine e amadureça para que tenha bastante equilíbrio e seja feliz em suas escolhas. Que o tempo o faça descobrir que o rancor e o orgulho demasiado nos faz perder oportunidades muitas vezes irrecuperáveis. Que lembre do que eu lhe tentei passar quando nós dois juntos.
Eu sempre soube o quão valioso ele é para mim, pois nunca ninguém será como ele é, com aqueles olhos tão doces, tão gentil... E comigo então, quem vai ser tão amável, carinhoso, confiável, companheiro como ele era...
Ele quis ir, e se for o que ele considera melhor para ele, vá, seja feliz, porque isso é a maior prova do meu amor, tentar viver sem você e de algum modo abrir mão da minha felicidade em nome da sua. Se for por você, eu fico aqui, te amando, mas eu fico, só para não ser triste te vendo ser infeliz ao meu lado. Eu espero, nem que eu morra esperando, acredito que você vai voltar, porque acredito no meu amor, e sei que um dia você volta pra tomar de conta do que é seu.

domingo, 23 de novembro de 2008

UM AMOR DELICIOSO (GROOVY KIND OF LOVE - PHILL COLLINS)

Quando fico triste, tudo o que tenho a fazer
É olhar pra você, então tão fico mais tão triste
Quando você está perto de mim, posso sentir as batidas do teu coração
Posso ouvir sua respiração no meu ouvido
Você poderia não concordar, amor
Que vivemos um amor delicioso?
Sempre que você me quer, eu apareço
Tudo o que você quer, e a qualquer hora
Quando beijo seus lábios, oh tenho um frenesi
Não posso controlar a agitação dentro de mim
Você poderia não concordar, amor
Que vivemos um amor delicioso?
Quando fico triste, tudo o que tenho a fazer
É olhar pra você, então tão fico mais tão triste
Quando estou nos teus braços, nada parece ter importância
Todo meu mundo poderia se quebrar, não me importaria
Você poderia não concordar, amor
Que vivemos um amor delicioso?
Vivemos um amor delicioso
Vivemos um amor delicioso
Vivemos um amor delicioso